jEORÃO, UM LÍDER IRRELEVANTE

               Série: Reis de Israel #01

O interesse por grandes nomes que impactaram a sua época e que deixaram legados é natural, até porque os homens, como ser social, precisam de referenciais que muitos chamam de heróis. Entretanto, na contrapartida, há aqueles que também entraram na história e que despertam o interesse de forma reversa. Uns, pelos grandes feitos positivos, outros, pelos feitos negativos. Quem é esse homem? O cronista o chama de Jeorão, filho de Josafá, neto de Asa. Ao analisar a vida desse rei, não é difícil compreender o porquê de ser insignificante na história monárquica de Israel na perspectiva piedosa dos homens que agradaram a Deus.

                A história desse rei está registrada em 2 Reis 8.16-24 e 2 Crônicas 21. Ele sucedeu seu pai Josafá por direito, por ser o primogênito, porém, matou seus irmãos e os príncipes de Israel, provavelmente com medo de perder futuramente o seu trono. Casou-se com Atalia, filha de Acabe, e andou nos caminhos da “casa de Acabe”, fazendo mal aos olhos do Senhor. Ele provocou a revolta dos edomitas que, durante o reinado de seu pai, Josafá havia apaziguado. Institucionalizou a idolatria, seguindo o exemplo dos reis de Israel como Acabe. Porém, diante de suas impiedades, Elias o sentenciou com uma enfermidade incurável que o levou à morte. Com trinta e dois anos, subiu ao trono e reinou durante oito anos. Diante de sua biografia, é patente o porquê de ter um legado insignificante.

                Primeiro, era maligno de coração. O ato de matar seus irmãos e príncipes de Israel (1 Cr 21.4), demonstra que era mau, e a oportunidade só revelou a sua maldade. Tipo de um líder que usa seu poder para sobrepor contra os liderados. A pior coisa que pode acontecer é um homem maldoso ter o cetro na mão, pois, os seus atos serão sempre manchados pela maldade do seu coração.

                Segundo, os seus referenciais são insignificantes. Conforme o texto sagrado, ele se envolveu com a ímpia casa de Acabe (22.6). Um líder insignificante tem referenciais insignificantes tanto quanto insignificante ele é. Os grandes líderes têm como modelo pessoas relevantes, mas líderes irrelevantes se aliam conforme a conveniência do poder.

                Terceiro, não tem habilidade para resolver tensões. Se nos dias de seu pai os edomitas, descendentes de Esaú, estavam sob controle, em seus dias provocou a rebelião (21.9-10). Jeorão é o exemplo de um líder que ocupa a cadeira sem a autoridade para a função. Muitos líderes, a exemplo do rei de Judá, em vez de resolver problemas, potencializam os problemas, o que demonstra a fraqueza que não pode ter um líder eficiente.

                Quarto, não há espaço para arrependimento. Mesmo Elias sentenciando (21.12-15), não há lágrimas. Isso diz muito do perfil daquele homem. Quando o coração não é transformado, não adianta ter a realeza ao seu desfrute. Elias sempre estará por perto!

                Quinto, reinou, mas não impactou. Jeorão reinou durante oito anos (22.20), mas não tem nada de exemplar em sua liderança. Nem sempre ocupar uma cadeira é sinônimo de louvor, às vezes, é apenas circunstancial.

                Jeorão teve a oportunidade da vida, quer seja para ele ou para os outros, mas preferiu o caminho paradoxo à vontade de Deus. Foi rei, mas em sua morte, não teve lamentações e nem a honra de ser sepultado nos sepulcros do rei. Pode-se em vida fazer o que quer devido ao poder, mas a história é quem vai julgar quais lideraram, mas sem influência alguma. Acima de tudo, fomos chamados para mudar vidas, impactar pessoas; não viver para interesses pessoais, mas pela causa. A causa é maior!

O homem que poderia seguir nos caminhos de seus pais entrou na história com uma lápide eterna: “Aqui jaz um homem que não deixou saudade”. Qual será o nosso legado?

Em Cristo,

Pr.Jetúlio Luz, diretor do Seminário William Seymour